#2 DANIEL DA SILVA _conversa afiada

Alentejano de gema, nasceu em Évora em 1983, começou a estudar guitarra clássica aos 13 anos e foi na mesma cidade que concluiu a Licenciatura em Música.

Mas um dia descobriu Vicente Amigo e tudo mudou! O timbre, as harmonias e o ritmo do Flamenco atingiram-lhe a alma e essa paixão inesperada levou-o a fazer as malas rumo a Barcelona, onde vive desde 2006.

A maior surpresa chegou-lhe ao concluir o curso de Guitarra Flamenca com máxima classificação de Matrícula de Honor pela Escola Superior de Música da Catalunha.

Desde esse dia que a vida de DANIEL DA SILVA ganhou novo ritmo entre concertos, projetos, produção musical e pedagogia. Sempre rodeado de artistas de renome como Los Mulero, José de la Veja, Calima Colores, Pablo Gómez Molina ou os Fado Violado.

 

Autora: ESTHER PINO

 

1.: Durante a Licenciatura em Évora tiveste o privilégio de estudar com nomes como António Caeiro, Alberto Ponce e Pedro Jóia.

Em Barcelona, Juan Manuel Cañizares, Juan Rámon Claro e José Miguel Cerro foram nomes importantes para a tua formação.

O guitarrista que és hoje traz consigo cada uma destas influências e as suas sabedorias ou soubeste distanciar-te e criar algo só teu?

Durante o processo de aprendizagem era muito difícil “distanciar-me” porque o objetivo era exactamente “copiar”. Depois de assimilada a linguagem e o estilo, decidi regressar às raízes e misturar tudo aquilo que sou.

 

2.: O que sentiste quando o Pedro Jóia te apresentou o Flamenco?

Como foi ouvires pela primeira vez Vicente Amigo e apaixonares-te de tal forma que alteraste toda a tua vida futura em função disso?

Ainda hoje não entendo como tudo isso se processa… Quando sentes paixão por algo, isso conduz o teu futuro e nem dás por isso!

 

3.: Mudaste-te de Évora para Barcelona e durante cinco anos estudaste Guitarra Flamenca. Foi surpreendente terminares o curso e obteres classificação máxima de Matrícula de Honor, num concerto com composições tuas?

Sim, assim foi. Se bem que uma “classificação máxima” nunca é uma classificação máxima porque estamos sempre a aprender e temos sempre defeitos… Mas é tão bom que assim seja, senão que aborrecida seria a vida.

 

 

4.: Foi um concerto com uma forte componente instrumental que juntou os três principais elementos do Flamenco Tradicional: guitarra, canto e baile.

Completa-te mais a guitarra a solo ou a acompanhar o canto ou o baile flamenco?

Absolutamente as duas coisas..! É como num dia apetecer-te chuva e outro apetecer-te sol.

 

6.:  Participas também em diversos projetos de Jazz, Bossa-Nova, World-Music. A tua inspiração surge também de outros estilos musicais?

Sim, gosto de praticamente todos os géneros musicais. Penso que em cada cultura há o bonito e o feio, o excelente e o medíocre. E tudo faz falta!

 

7.: Quem são os músicos que ainda não tiveste oportunidade de conhecer mas por quem davas uma das tuas guitarras por trinta minutos de conversa?

Mais que de músicos gosto de Pessoas. Daria qualquer guitarra minha por qualquer bom amigo. A guitarra é um apenas um bocado de pau com cordas; o coração não tem preço.

 

8.: Em 2015 produziste o disco ‘Jangada de Pedra’ dos Fado Violado; uma união entre fado e flamenco no teu estúdio (e escola de música) em Barcelona.

A pedagogia e a produção musical convivem sempre, ao mesmo nível, com a tua profissão de guitarrista flamenco?

Gosto muito de dar aulas e de gravação, assim como de subir ao palco. Costuma-se dizer que é no ensinar que verdadeiramente se completa o processo de aprendizagem de uma matéria.

 

9.: Para quando um projeto a solo?

Está a caminho… Mas o tempo é esse recurso que nunca sobra.

 

10.: Quem era o Daniel da Silva antes de descobrir o Flamenco e quem é hoje? Sentes que esta arte te transformou e tornou mais inteiro na tua expressão musical? 

Penso que sou a mesma pessoa e o mesmo músico mas com essa linguagem assimilada e no bolso, pronta a utilizar. É como um idioma; quanto mais praticares, melhor…

O flamenco é um idioma também. A guitarra obriga-te a ser muito disciplinado e a descobrir que para conseguires os teus objetivos, a persistência e o sonho são fundamentais.

 

 

INFO

Discografia

Jangada de Pedra, Fado Violado 2015

Cantos de Hidra, Clara Sallago 2015

Folha de Rosto, Mara 2014

Sincronías, Bea Garcia 2014

 

DdS Estúdio de Guitarra & Recording Studio

Carrer de Sant Frederic nº 35 / 08028 – Barcelona

1 Comments

  1. Helena Jan 25, 2017 - 06:28

    Que orgulho!
    “Giesteiraaaaa!”

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